terça-feira, 14 de novembro de 2017

O limão e as caretas


Quando eu era criança e estava gripada ou com falta de vitamina C, era comum minha mãe colocar numa colher o sumo puro de um limão com um pouco de mel para eu tomar. Era tiro e queda, aliviava a dor de garganta na hora. Mas mesmo com o mel, o negócio era terrivelmente azedo, principalmente para o paladar infantil dos anos 80, que tudo era chiclé ploc, balinha xaxá e 7belo. Este último chegava a travar a mandíbula de tão doce.
Lembro que certa vez, como criança curiosa que fui, peguei um pedaço de limão de frente para o espelho e chupei só para ver a minha reação. A careta que fiz era muito engraçada. Me divertia com a espontaneidade das caretas, mesmo que para isso tivesse que sofrer um pouco. Não importava, o que era legal era ver como eu ficava ridícula com cada careta que eu fazia.
Hoje, as caretas não são tão visíveis. Hoje, as caretas são internas. Quantas pessoas sisudas vemos por aí, com cara de quem chupou limão azedo. Pessoas rancorosas que carregam uma careta interior que ninguém merece. São pessoas que reclamam de tudo: do tempo, da temperatura, de acordar cedo, de acordar tarde, da comida, do sono, da falta de sono, do feriado, da segunda-feira, de cólicas, da vida. São pessoas que vivem buscando azedar o dia dos outros, com um comentário maldoso, uma praga jogada, um resmungo inaudível. São pessoas que vivem de mimimi e por isso são extremamente cansativas. Se vitimizam. Bléééé pra elas.
Pessoas com careta interior são aquelas que esquecem de colocar um pouco de mel na sua colherada diária de limão. Ou de colocar um espelho na sua frente para que, na falta de mel, pelo menos tenha-se humor. 
É inevitável: todo dia teremos nossa dose de limão puro, ácido, que trava a garganta. A vida adulta é assim, cheia de limoeiros. Mas a escolha de azedar seus dias e dos outros ou de rir-se das caretas é sua.


Daniele Van-Lume Simões    14 de novembro de 2017

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O abacaxi da Lava Jato

Você, cidadão de bem, pode ser preso, graças à Lava Jato. E o troféu abacaxi vai para...

https://ocafezinho.com/2017/10/30/trf4-manda-solta-gerente-da-petrobras-que-moro-prendeu-porque-nao-havia-provas/ 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A água e a vida


Hoje, numa conversa com meu marido, estávamos falando sobre pensamentos positivos e como isso influencia na nossa vida e soltei a frase: “Não podemos nos afogar em pensamentos ruins”. Caiu a ficha. Afogar pode ser usada em sentido literal.
Sem água não existiria vida aqui na Terra. Somos 70% de água e esse conselho dado por várias pessoas que conhecemos não é à toa, mas talvez elas não tenham entendido a verdadeira razão dele. Há um estudo científico de Masaru Emoto que afirma que os cristais de água se acumulam, assumindo formas bonitas ou feias, a depender da vibração sonora que o atinge. O som emite uma onda que vibra as moléculas de água e fazem elas se agruparem das mais variadas formas.
As orações transformam os cristais de água em verdadeiros vitrais, assim como as composições de Bach. Já a voz de Hitler faz com que os cristais de agrupem desordenadamente, de forma sombria. Palavras repetidas diversas vezes como amor, gratidão e esperança deixam os cristais parecidos com flores. Ameaças de morte e a palavra ódio deixam os cristais amorfos, pontiagudos, deformados, assim como os sentimentos ruins deformam nossa esperança, nossa fé, nosso coração.
O som é uma onda, bem como o pensamento. Ondas, essas últimas, que podem ser medidas em exames: a chamada atividade cerebral. E por ser uma onda, o pensamento mau é tão devastador quanto uma fala agressiva. Alimentar pensamentos ruins só faz a gente se afogar em nossa própria mágoa, em nossa própria água. Não os alimente.
Cultive pensamentos de paz, pensamentos de esperança, de coisas positivas e principalmente de gratidão. Agradeça pela sua vida a todo instante. Agradeça às oportunidades e a todo o aprendizado que você teve na sua vida, seja bom ou ruim. Ore muito, todos os dias, a todo instante. O cristal da oração é o mais bonito que existe. Transforme sentimentos e pensamentos maus em fé, em solidariedade. Não é fácil, mas também não é impossível. Transforme sua água em belos cristais. Transforme-se e seja feliz.


Daniele Van-Lume Simões                         30 de outubro de 2017

domingo, 24 de setembro de 2017

A paz


Tem uma música famosa que fala "A paz invadiu o meu coração...". É linda, mas utópica. A paz deveria invadir as atitudes. Essas sim, merecem um pouco mais de paz. O mundo anda cheio de ódio e rancor, mesmo com cada vez mais pessoas adeptas a ioga. Contraditório, não? Não. Você pode ser um mestre iogue que se você não praticar sua paz interior com atitudes, nada adiantará ficar de cabeça pra baixo por duas horas.
Quando ficamos mais velhos, mudamos os valores. Passamos a ser mais racionais e isso não é de todo ruim. Quando somos jovens queremos muito dinheiro para torrar no que quisermos, mas quando mais velhos queremos apenas um pouco de paz, "um lugar de mato verde para plantar e para colher" e relações sinceras, mesmo que contemos numa única mão a quantidade de pessoas que fazem parte da nossa vida significativamente. E este último, meu caro, não há dinheiro no mundo que compre. A paz está nas relações saudáveis e na simplicidade que você encara a vida.
Quando jovens, achamos que "o tempo não pára". Quanta inocência. Pára sim. Mas só se quisermos parar com ele. Pare para ver o pôr do sol, para para sentir a chuva molhar seus pés, pare para ouvir o canto de um pássaro. A vida continua acontecendo, segundo por segundo, mas como Einstein provou que o tempo é relativo, ele parece parar junto com a gente e se transformar numa pequena eternidade quando paramos para senti-lo. A paz pode estar em alguns segundos. Acho que Einstein gostava de pássaros...
A verdadeira paz não é aquilo que você dá na igreja ao desconhecido do lado. É aquilo que você sente e que externaliza, seja com uma voz mansa, seja com um gesto de gentileza, seja com um auxílio a quem precisa. E se for anônimo, te digo, maior será sua paz.
A paz é algo interior sim, mas que não deve ficar por aí. Precisa ser externalizada, praticada.
A paz é aquilo que falta em casa, quando tratamos mal as pessoas que mais deveríamos tratar bem: nossos pais, nossos filhos, nossos cônjuges... Não adianta ser um poço de educação da porta para fora, se a rispidez impera com quem você dorme todas as noites.
A paz tem que ser constantemente praticada... E como é difícil.
A paz é algo que, se parássemos de idealizar com bandeiras e pombas brancas, e assumíssemos nossa responsabilidade por cultivá-la com atitudes, deixaria de ser utopia para se transformar uma realidade cotidiana. E aí sim conheceríamos o verdadeiro significado de outra palavra: a justiça.
"Hoje eu só quero que o dia termine bem...". E em paz.

             Daniele Van-Lume Simões     24 de setembro de 2017



A inspiração

Faz tempo que não escrevo. Escrever é sazonal. Não acredito em escritores que têm inspiração constante com qualidade. É preciso de tempo para oxigenar as ideias, descobrir novas palavras e emoções, e principalmente, dar um tempo de se mostrar.
Para que um texto venha, é preciso cobrir-se às vezes, observar mais do que expor, calar mais do que falar, sentir mais do que pensar.
Hoje, depois de um tempo afastada, senti necessidade de colocar em meus dedos as minhas ideias. E cá estou eu, em um domingo de manhã ensolarada, escrevendo... Descobrindo-me.
E cada descoberta é um assombro. Como não pensei nisso antes? A graça da vida está em assombrar-se com as possibilidades.
Escrever crônicas não é racional. É emocional. Deixe as racionalidades para teses e artigos acadêmicos.
Aqui, tento colocar em palavras aquele espaço compreendido entre o que penso e o que sinto. Um espaço sem nome, mas de tanto significado. De tantas conexões com os leitores. Eles sabem de que espaço estou falando...
Um brinde às crônicas por preencher estes espaços, quando vazios, e por fazer das reflexões cotidianas algo profundo e assombroso.

Daniele Van-Lume Simões         24 de setembro de 2017


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Sogras, melhor não tê-las


Sinto inveja de quem tem a sogra como uma segunda mãe. Comigo não é  bem assim. Desde o início, nunca houve aquela empatia da parte de lá. E vou te dizer: se isso acontece também com você, “tamo junto”.
Você tenta de tudo para se integrar àquela família que deverá ser também sua para sempre. Mas não adianta tentar se aproximar, porque vão te achar sonsa. Se você emitir sua opinião, vão te achar grossa. Se você ficar na sua, vão dizer que você é antipática. Se você quiser ser agradável, simpática, e puxar assunto, vão te chamar de falsa. E se um dia você falar o que pensa, você será taxada de mal-educada. Reparar a educação das filhas dos outros é fácil... Difícil é ver o que se tem em casa. 
Quando a mãe do seu grande amor não vai com a sua cara, nem que você se materialize na Gisele Bundchen com a bunda da Kim Kardashian e o cérebro de Einstein vai adiantar. Forget it and keep walking.
Conheço amigas que passam por isso ou até pior, que têm aquelas sogras que fazem inferno mesmo. De ligar, pentelhar, inventar mentiras. Tem de tudo. Eu me pergunto o que faz uma pessoa de 60 anos agir dessa forma. O que ela ganha ao fazer questão de, em vez de unir, desintegrar a família por pura implicância? 
Paciência tem limite. Você até aguenta uns anos, mas vai ter uma hora que se tudo o que você faz parece errado, vai te dar vontade de ligar um belo de um foda-se. Em alto e bom som. Afinal, ninguém é saco de pancada, certo? E tem uma regra universal que só tem duas pessoas no mundo que têm o direito de xingar ou gritar com você: seu pai ou sua mãe. Se for pai ou mãe dos outros, ligue o foda-se e seja muito, muito feliz, com o grande amor da sua vida. 
E lembre-se: “Gentileza gera gentileza”. Mas coice gera coice.


Daniele Van-Lume Simões                 17 de agosto de 2017

terça-feira, 18 de julho de 2017

Gratitude


Encasquetei com uma palavra há alguns dias: Gratitude. A tradução dela para o Português é Gratidão. Mas não sei por que, a versão inglesa me agrada mais.
Gratidão é você agradecer todos os dias pelas bênçãos que você recebe, desde as mais simples. Gratitude, embora signifique a mesma coisa, me lembra a junção de Gratidão com Atitude. E isso é bem diferente.
Falar, orar, meditar para agradecer muitos fazem, mas quando termina aquele momento, a vida volta a ser como antes. Ter a atitude de gratidão é viver de outra forma. É dar valor, com atitudes, a tudo o que você recebe de bom.
Como? É saborear seu almoço quentinho e oferecer um pedaço, é sentir o cheiro de café fresco e levar uma xícara para o colega que trabalha do seu lado, é se enrolar nas cobertas numa noite fria e cobrir seu par para protege-lo do frio, é ligar para alguém que você ama só para dar notícias, é dar uma palavra de conforto a quem precisa, é ser gentil com quem você não conhece, é calar em vez de fofocar, é respirar profundamente e sentir-se grato pela vida, é encarar um desafio no trabalho com boa vontade e determinação, é ler um trecho de um livro que você gosta e aprender algo pra vida, é colocar em prática seus dons – cozinhar, escrever, costurar, ensinar – e compartilhá-los com alguém, é dar um abraço em alguém que é importante para você, é exercitar a compreensão com atitudes incompreensíveis de outrem, é tomar um bom banho e uma dose de coragem para ganhar o mundo com alegria todas as manhãs, é usar sua melhor roupa e seu melhor perfume celebrando a vida, é fazer algo que você acredita, é fazer uma boa ação, é buscar evoluir através de gestos e atitudes. Perceba que em nenhuma dessas ações eu citei a palavra obrigado. O agradecimento veio por meio de atitudes: “Gratitude”.
O agradecimento não deve ser só falado, ele pode ser vivenciado, realizado. Claro que falar é muito importante, pois é através da fala que nos expressamos e através das orações, que refletimos e meditamos. Mas todas as palavras ditas e pensadas podem ir por água abaixo se não as vivenciamos em sua plenitude, se não as praticamos no nosso dia a dia. As palavras ditas perdem seu valor se simplesmente levamos uma vida omissa.
Há um profeta que vivenciou a Gratitude (na minha tradução) de uma forma ímpar: Jesus Cristo. Ele pregava, ele meditava, ele falava com todos. Mas ele não ficou somente nas palavras. Ele curava, ele fazia milagres, ele dava exemplos com suas ações, ele abria mão das coisas para ensinar o verdadeiro amor, ele respeitava a todos (até mesmo quem queria seu mal), ele agia em nome do bem e pelo bem. Ele foi grato por cada minuto de vida e por isso, nos ensinou a coisa mais valiosa que existe: o amor é grandioso. E ele era grato por conhecer o verdadeiro amor em sua plenitude, que nós chamamos de Deus. De Força Superior. De Arquiteto do Universo. De Bondade. De Deusa Mãe. De muitos nomes, mas todos significando a mesma coisa.
A atitude de ser grato extrapola as palavras. Para agir com Gratidão é preciso Coragem de fazer a diferença. Pessoas que agem com Gratidão são fortes – por isso são verdadeiramente especiais.

Daniele Van-Lume Simões    18 de julho de 2017