quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Chega 2018, mas não chega 2017

Quando penso no resumo de 2016, só me vem uma frase na cabeça: Que ano foi esse hein? 
Tantas mortes... Atores, cantores, times de futebol quase inteiros, orquestras inteiras... Até a democracia morreu. E esta última morreu jovem, coitada.
Em 2016, sai o primeiro presidente negro dos Estados Unidos e entra o Trump e seu muro mexicano – algo surreal na época atual. No Brasil, bateram panela sem saber direito por que e agora ganharam de prêmio uma aposentadoria cada vez mais tardia - sem contar a recessão dos salários. Em 2016, teve desastres aéreos em dezembro aos montes, já outros nem tão desastres assim, mas todos fazendo centenas de vítimas.
Heróis morrendo de overdose, como diria o poeta – ou parada cardíaca, como diria o jornal.
Crianças vítimas de guerra, mortas no mar e expostas numa fotografia perturbadora e sem noção (como a maioria das coisas hoje) ou cobertas de poeira e destroços.
Em 2016, ataques terroristas e o povo compartilhando vídeos de decapitações como se fossem em galinhas. Só desgraça e virou comum ler ou assistir notícias desse porte às 7h da manhã. Não choca mais. Nem embrulha mais o estômago. Perdemos a sensibilidade ou a sanidade ou os dois.
Pessoas sem noção dentro e fora do mundo virtual. Seja nas palavras, seja nas atitudes. Em 2016, percebi um saudosismo do passado, quando a vida era mais sustentável mesmo com menos opções. Menos tecnologia, menos carros, menos e-mails (ou sem e-mails), menos celulares, nada de internet. Até menos comida.
Cultura dos orgânicos e brechós tentando ser implantada, quando o consumismo já é intrínseco na veia de todos, um caminho meio que sem volta. Ou tarde demais para voltar. Acordamos tarde para o mal que nos consome. Acaba ficando ridículo essa moda pseudocult da maioria, porque poucos mesmos são os que praticam esse desapego em todos os aspectos da vida.
Vizinhos que não se cumprimentam, pessoas que não sorriem, amigos que não são tão amigos assim. Normal hoje em dia. Não deveria, mas é. Mas aí não foi só em 2016. Já tem umas boas décadas que isso ocorre.
Em 2016, não teve uma música boa, não teve um livro marcante, não teve um filme bom - talvez até tenha tido, mas é uma avalanche de informações constante que depois de 5 segundos já partimos para a próxima e esquecemos o que veio antes. E nada acaba ficando para ser recordado.
Posso estar sendo reducionista, mas a sensação que tenho é que este ano foi contraditório: economicamente, politicamente, culturalmente, temporalmente - sensação de ter sido corrido o tempo todo, mas ter demorado séculos para passar. Quase uma tortura. 2018 chega, mas não chega 2017.
Pessoalmente, para mim, até que foi um ano de conquistas - suadas conquistas. E sou muito grata a Deus por elas. Mas no geral, o que vejo, é que foi um ano de pessoas confusas, protestando, pelo não sei o quê, para conseguir não sei o que lá e chegar a um lugar sabe-se lá onde.
Espero que 2017 traga a luz que 2016 não teve. Que possamos respirar um pouco mais aliviados em meio a tantos percalços - para que menos perdidos, e mais conscientes, consigamos definir o caminho que este país/mundo irá tomar. E que tenhamos o discernimento para escolhermos certo. Ou pelo menos, não permanecermos no erro.

Daniele Van-Lume Simões       28 de dezembro de 2016


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