terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Férias


Férias. Palavrinha maravilhosa, só não é melhor do que saúde. Trabalhamos todos os dias esperando por ela. Saímos cedo de casa, no frio, na chuva, do escuro. Chegamos tarde do trabalho, às vezes levamos trabalho para casa, só para conseguirmos desfrutá-la com tudo em dia, sem pendências.
Quando ela vai se aproximando, vai batendo um cansaço acumulado. Parece que um peso de 20 kg pairou sobre as costas. Começamos a correr com tudo, para deixar a casa e o trabalho em ordem. Dizem que até ficamos mais propensos a gripes e resfriados antes das férias, tamanho é o esgotamento físico e mental. Mas eu digo, há um esgotamento emocional também.
Precisamos das férias para respirar um pouco, para nos permitir acordar com o relógio biológico e não com a programação do despertador. Precisamos das férias para equilibrar os pensamentos e também as emoções. Aproximarmo-nos da família, do cônjuge, dos filhos, dos amigos.
Precisamos das férias para curtir aquele vinho, aquela viagem ou aquela série, sem peso na consciência por dormir tarde ou beber demais ou voltar para casa só na terça de manhã. Ou tudo isso junto.
Precisamos das férias porque somos humanos e eles inventaram o trabalho e junto, sua válvula de escape - senão o mundo estaria muito mais louco do que está.
Precisamos das férias para sentir como a vida é maravilhosa, como o pôr do sol é belo, como o céu está lindo - pena que precisamos delas para saber disso.
Precisamos das férias para entender que o trabalho pode ter intervalos, inclusive para que as inspirações venham. Quem trabalha direto, sem intervalos, faz tudo no automático e esgota-se. A criatividade acaba. A fonte seca.
Férias são necessárias pelo menos uma vez por ano, mas se quer ter uma vida mais leve, permita-se férias curtas durante o ano. Pode ser num feriado, num final de semana, até férias de um dia - a chamada folga. Tire um sábado para fazer algo que você gosta, sem que seja resolver coisas. Sem que seja fazer feira, pagar contas ou colocar gasolina no carro. Nada de obrigações.
Vá ao parque, tome um sorvete ou uma cerveja, caminhe, vá almoçar num lugar diferente, experimente um vinho novo, assista a um filme. Cochile, acorde às 2h da manhã e leia um livro no mais absoluto silêncio. Dessa forma, você não entra na história, a história que entra em você. Escute o silêncio, tome um banho morno e cheiroso, um café reforçado na cama ao lado de quem ama, sem pressa. Relembre histórias velhas, dê risada, invente uma receita. Descanse sem culpa.
Podemos ter pequenos momentos de férias durante o ano, que tornarão a jornada mais leve, basta que queiramos.
E lembre-se: a vida é curta para que fiquemos sempre esperando as próximas férias para aproveitá-la.

Daniele Van-Lume Simões   31 de janeiro de 2017


domingo, 29 de janeiro de 2017

A beleza e a cobrança


Considero-me uma pessoa vaidosa. Gosto de produtos cheirosos, perfumes e sou louca por maquiagem e batom - tenho vários. Mas isso sempre foi uma coisa minha. No entanto, estou tentando comprar só o que eu tenho certeza que vou usar - um consumo consciente - independente do que ditam nas passarelas ou nos blogs de beleza.
Cada vez que entro na internet é uma moda diferente, seja de dieta, de exercícios, de cabelo, de unha, de roupa. Está cada vez mais cansativo andar na moda e talvez até mesmo mais esquisito. Piercing em unhas! Como faz para usar o banheiro? Ou cabelos multicor, gargantilha gótica, e mais não sei lá quantas coisas que não combinam comigo - e com a maioria das pessoas.
Nada contra quem usa gargantilhas ou cabelos azuis, mas isso tem mais a ver com estilo do que com moda. Quem gosta de cabelo azul, vai usá-lo mesmo que a moda seja cabelos castanhos virgens. Quem gosta de gargantilha, vai usá-las, mesmo que a moda seja maxicolares (que eu adoro por sinal). E por aí vai.
E as dietas? Cada uma que aparece... Vegana com glúten, vegana sem glúten, com açúcar branco, sem açúcar nenhum - incluindo o das frutas, dieta do abacate (que ganhou um nome chique: avocado), vegetariana, sem lactose, da proteína, da clara de ovo... ahhhhh... Dieta boa mesmo é aquela que minha vó comia, com manteiga no pão, café com leite, carne com legumes, arroz e feijão. Dieta boa é aquela com comida de verdade, com proteína de verdade, com vitaminas de verdade, com açúcar de verdade, com farinha!.
Dieta boa é aquela com uma guloseima de vez em quando, com uma taça de vinho ou duas ou três, é aquela com sabor. Dieta boa é aquela que você come na quantidade certa. Essas dietas da moda criam pessoas neuróticas, ansiosas, malucas, estressadas, mal-humoradas - ou será que são essas pessoas que criam essas dietas? Vai saber a ordem...
Exercício é bom aquele que te dá prazer. Gosta de musculação? Ótimo. Eu odeio. Gosta de correr? Ótimo. Eu não posso, tenho asma. Gosta de caminhar? Ótimo. Eu gosto também. Se eu fosse seguir os exercícios da moda, já teria morrido - ou de asma ou de tédio. Exercício bom é aquele que você faz porque gosta, nem que seja uma caminhada ao mercado, um alongamento em casa, ou meia hora de esteira vendo seu programa preferido.
Tem um exercício que eu gosto muito: pilates. Alia respiração, postura e força física, tudo isso num ambiente climatizado, com uma pessoa formada especialista para te assessorar a não fazer besteira. Perfeito. Para mim. Só que desde que me mudei para Brasília, ainda não tive tempo de procurar um estúdio, mas como sei exatamente o que eu gosto de fazer, não me rendi aos modismos fitness da vida.
Gente, a vida é muito curta para que percamos tempo preocupados em seguir padrões estéticos. Devíamos nos preocupar mais em seguir padrões éticos.
Faça e use o que te faz bem, o que te faz feliz, o que te realiza. Esqueça padrões, modismos e fotos da Gabriela Pugliesi treinando. Seja você, com suas lindas imperfeições, que no conjunto da obra, te fazem um ser único e por que não, perfeito.
Cada um é cada um e o mais importante na vida é aquilo de bom que você externaliza através do seu sorriso e não da sua bunda empinada.

Daniele Van-Lume Simões   29 de janeiro de 2017


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A fortuna e os valores


Hoje pela manhã, numa das raras vezes que ligo a  TV, me deparei com uma notícia que me deixou reflexiva: o homem que já foi considerado o mais rico do Brasil e o 8º do mundo estava foragido, após ser decretada voz de prisão devido a corrupção em suas empresas - que por sinal faliram há alguns anos.
Quem poderia imaginar, nos anos 90/2000, que este homem passaria por isso um dia, quando sua fortuna já foi estimada em mais de 100 Bilhões de reais? Sim, eu não disse milhões, você leu certo. São 9 zeros à direita, meu bem.
Bom, eu não entendo muito de mercado financeiro e sou um pouco conservadora em relação aos investimentos, mas essa situação desse senhor me fez pensar no valor das coisas - e não no sentido monetário.
O dinheiro é viciante. O poder também. Os dois juntos - pronto - quase uma heroína financeira. Nunca fui rica dessa forma, mas em alguns momentos me deixei seduzir por coisas caras – e quanta ilusão. Hoje, eu fico pensando que se eu tivesse alguns poucos milhões, viveria de renda. 20 mil, 30 mil por mês de renda e estaria ótimo. Aliás, excelente. Nunca mais precisaria me preocupar com dinheiro e só trabalharia se quisesse. Mas será que realmente é sempre assim?
Acho que o que acontece com a grande maioria das pessoas que ficam milionárias ou bilionárias e perdem tudo é que o dinheiro ganhado honestamente tem um limite. Uma espécie de teto. Sim, eu não acredito em quantias milionárias rápidas sem uma história suja por perto - por melhor que seja a ideia. Vai ter uma hora que para ganhar mais, você vai se deparar com gente sem ética no caminho e ou você para ou avança – e põe na sua conta o risco.
Nessas situações que a pessoa escolhe avançar, alguém ou foi passado para trás, ou foi omitida alguma informação, ou ainda acordos tão indecentes que são inimagináveis – que podem incluir até a morte de alguém. Alguma "sujeira" acontece para que alguém se beneficie dela. E quando algo está sujo, a mancha só tende a aumentar, quando aliada à ganância de ganhar mais. De mandar mais. Mais, mais e mais. Perde-se o limite, o senso, a noção, a vergonha na cara, a dignidade, a família, a paz de espírito - você vende sua alma para a vaidade e ela cobra cada centavo da dívida.
E quanto aos valores? Quais valores realmente são importantes? Não os monetários, mas os valores de vida, de família, de fé, de solidariedade, de ética? Esses são os que realmente podem trazer felicidade, mas caíram em desuso. Estão démodé, assim como a expressão.
Porém, nada impede que você seja ou fique rico e ainda tenha esses valores e os repasse para seus filhos, amigos, familiares, colaboradores, mas saiba que se você os tiver, não será tão rico quanto poderia ficar.
E aí eu te pergunto: Quanto vale sua liberdade e sua paz de espírito?
As minhas não têm preço e se tivessem, não estariam à venda.

Daniele Van-Lume Simões   26 de janeiro de 2017


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

As pessoas e as criaturas


É impressionante como ainda tenho a capacidade de me surpreender com certas coisas. Os valores estão invertidos, filhos se metendo na educação que recebem dos pais, amor livre (?!) no sentido de ninguém ser de ninguém, dinheiro vindo em primeiro lugar - no lugar que sempre foi da família; amores que não têm força para enfrentarem os desafios da vida a dois (amores?!); falsidades cultivadas, em vez de amizades; vaidades em vez de generosidade; arrogância em vez de gentileza; ameaça em vez de respeito.
Nasci exatamente nessa transição de valores e acho que fui a ultima geração que conheceu esses dois mundos - talvez por isso ainda seja capaz de me chocar com tudo isso.
Quem só conheceu a segunda versão da vida, ou melhor, do mundo acha que sempre foi assim. Mas te digo: não foi não.
Não tínhamos tecnologia, não tínhamos 1.376.498 formas de comunicação, uma ligação custava uma fortuna e ninguém mandava e-mail porque não havia internet. Talvez por isso comunicar-se era um ato valorizado. Entender o outro era algo precioso. Hoje parece ser perda de tempo. Ter bons valores era sinônimo de felicidade. Cada minuto era vivido realmente e não virtualmente.
Claro que a culpa dessa inversão de valores não é da tecnologia e sim da nossa falta de senso ao utilizá-la. O capitalismo acirrou-se. A vida tornou-se frívola, com vaidades exarcebadas - principalmente nas redes sociais. "Olha, minha vida é melhor que a sua! Meu corpo é mais sarado que o seu! Eu sou VIP nas baladas". Blá-blá-blá. Tédio. Foto de diploma dos cursos que fez ninguém posta.
Tenho muita saudade da Primeira versão da vida. Muita. Mas vivemos o hoje, essa realidade-virtualidade insana. O tempo não volta e nos dá a chance de fazer diferente. Fizemos merda com a nossa "evolução". Fato. Mas não podemos perder a sanidade e principalmente, os valores. Eles não morreram, estão adormecidos, esperando esse furacão passar para ressurgirem repaginados, e ensinarem algo a essa juventude, que de tão perdida e carente, só tem a internet. Ou pior, dinheiro (que na maioria das vezes, nem seu é).
Só posso, em meio a isso tudo, cultivar esses valores em mim e tentar repassa-los de alguma forma. Talvez nossa geração tenha uma das missões mais importantes do mundo: não deixar que a vida real e os valores que foram construídos por milênios (passando por Cristo, Buda, filósofos, desde Platão, Santo Agostinho, Rousseau, outros tantos mais e claro, meu  amado Rubem Alves) caiam no esquecimento.
Por fim, como diria o grande humorista Renato Aragão, com sua personagem genial, Didi Mocó: "Assim como são as pessoas, são as criaturas".
Não seja mais uma criatura no mundo. Busque fazer a diferença.

Daniele Van-Lume Simões   24/01/17


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A simplicidade e a felicidade


Já comentei por aqui que tenho lido Rubem Alves ultimamente e ele descreve, numa de suas crônicas, que descobriu a felicidade quando comeu jabuticaba pela primeira vez e aquela frutinha doce e azeda explodiu em sua boca, provocando as mais intensas sensações.
Pois bem, esse texto nunca saiu da minha cabeça e andei pensando sobre o que era felicidade e como esse conceito mudou para mim desde que me entendo por gente.
Felicidade, na infância, era minha coleção de Barbies e viajar com meus pais para Porto de Galinhas. Era férias com meus primos e andar de bicicleta todo dia. Felicidade era a macarronada de domingo da minha mãe e tomar banho de piscina no quintal de casa - aquelas de plástico, lembra?
Era passar por média e ficar de férias quase três meses.
Depois, na adolescência, felicidade era dormir na casa de alguma amiga e falar bobagem até o dia amanhecer. Era ter um corpo magro e escutar Legião Urbana ou Chico Buarque. Era passar o mês na praia e voltar preta, torrada de sol para a escola. Felicidade era o creme de galinha da casa de Ana Emília, o passeio no sítio do tio da Vanessa ou o som maneiro que ouvia no quarto de Dyana, falando bobagem até dormir. Era reunir as amigas para ir ao Cinema São Luis, no centro da cidade, e achar aquele lugar mágico, quase uma Broadway.
Virei adulta jovem e a felicidade passou a ser entrar no mestrado, escrever artigos, sair com meu próprio dinheiro, tirar minha carta de motorista, defender o doutorado e passar em concursos. Felicidade passou a ser vinhos, livros e escrever crônicas. Passou a ser as conversas cabeça com Déa, as risadas com as histórias e presepadas de Helô, os sushis com Marina e Romero. A felicidade passou a ser dirigir meu próprio carro e ter meu trabalho. Viajar sozinha. Ou ir nas festinhas cult com a Carol.
Depois dos trinta, felicidade passou a ser constituir uma família com o homem da minha vida, trabalhar num emprego que sempre quis, ter independência financeira e parar de me importar tanto com estética e me importar mais com conteúdo. Felicidade foi morar numa cidade tranquila e levar uma vida mais calma.
Mas hoje vi que a felicidade é muito mais simples do que tantos arranjos combinatórios que casam perfeitamente em raros momentos da vida. Sim, porque quando você está bem no amor, está com um problema no trabalho ou com problema de saúde. Quando sua saúde está perfeita, faltou grana para comprar algo que você queria ou aquela viagem planejada há meses não rolou. E você vai gastar toda sua energia para obter um sucesso efêmero, que nem sabe se virá.
Então entendi que felicidade é menos. Menos cobrança de que tudo funcione em perfeita simbiose.
Felicidade é simples e hoje, no meu dia, fui feliz em vários momentos.
Felicidade é o pão de queijo que comi hoje.
É o beijo de bom dia no meu esposo.
É o banho com meu shower gel predileto e meu hidratante com brilho.
É o cheirinho de café fresquinho que meu marido prepara - e é o melhor do mundo.
É o tempo chuvoso e frio, em meio a uma seca terrível em Brasília.
É o meu almocinho gostoso e barato, do lado do trabalho.
É aquela risada de algo que você escutou no trabalho de uma colega num momento de descontração.
É uma reunião proveitosa, que te dá boas ideias.
É ter minha cama quentinha para daqui a pouco deitar.
É pagar as contas em dia.
É elogiar o visual de alguém sinceramente.
É não guardar rancor porque a vida é curta.
É o canto dos passarinhos às 6:20 da manhã, quando está amanhecendo.
É o biscoito de polvilho com café do lanche da tarde.
É o requeijão raspa de tacho que levei pra casa para provar com meu esposo.
É aquele abraço numa amiga que você gosta.
É dizer "eu te amo" para seu pai, mesmo que pelo whatsapp e ele retribuir o carinho.
É agradecer a Deus pelo dia, com tantos momentos agradáveis.
É ter saúde, mesmo se a coluna dói um pouco.
É deitar e dormir com a consciência tranquila que você fez o melhor no seu dia. E do lado de quem você ama.

Felicidade é cada momento, gosto, cheiro, toque, palavra, gesto, reconhecimento, sentimento bom que você vivencia todos os dias e que mesmo pequenos, é o que dá a graça da vida!
Com tantos momentos bons, só posso concluir que fui feliz hoje e que amanhã serei novamente feliz, várias vezes, ao enxergar a beleza e grandiosidade das pequenas coisas.
 Esse é o segredo da arte de ser feliz.

Daniele Van-Lume Simões   18 de janeiro de 2017


A paixão pela profissão


Hoje vi uma postagem no LinkedIn que me chocou um pouco. Primeiro porque era de uma pessoa que eu admiro e que todos consideram humana, preocupada com o próximo. Segundo, porque essa mesma pessoa afirmava que não devíamos seguir nossas paixões por algum ofício ou profissão e sim pensar primeiro no retorno financeiro ao escolher o que devemos fazer durante nossas vidas. Sim, porque segundo ela, sem o retorno financeiro não há felicidade e isso deveria vir primeiro.
Parecia duas pessoas diferentes - Ruth e Raquel.
Concordo em termos. Apenas paixão por alguma profissão não paga as contas. Mas essa paixão pode ser uma mola, que te impulsiona para cima, em busca dos seus objetivos - só depende das suas atitudes. Ter paixão pelo seu ofício é algo necessário - eu diria vital - principalmente para a saúde mental.
Hoje, o que vemos são pessoas depressivas, ansiosas, tristes, rudes, desestimuladas porque não amam o que fazem - e muitas, pasmem, são ricas! Mas também são viciadas em drogas, tarjas pretas etc.
Muitas escolheram a profissão da moda. Fizeram o MBA da moda, repetem frases de coaches da moda, mas da boca pra fora, com um vazio imenso no peito, quase no automático. Para mim, elas são pobres - só que de espírito.
Alguns são Diretores, Coordenadores, até CEOs, mas não têm uma vida profissional feliz. Andam em carros importados, ostentam relógios caros e comem lagostas, mas são incapazes de dar bom dia com um sorriso no rosto. Pessoas que conquistam coisas e cargos, e que depois não sabem o que fazer com eles ou para que servem. São incapazes de ir em busca dos próprios sonhos. Quer limitação maior?
O trabalho, ao meu ver, só é digno, quando feito com amor. Quando acrescenta na formação de alguém, quando é solidário a alguém, seja o estagiário, seja o cliente, seja seu chefe. O trabalho, a profissão só realiza uma pessoa quando essa pessoa é apaixonada pelo que faz, mesmo com todos os perrengues que podem surgir.
Sou verdadeiramente apaixonada pelo meu trabalho, pela minha profissão - e isso não quer dizer que não tenho problemas, limitações e desafios. Tenho muitos, todos os dias e aprendo com cada pessoa que convivo, com cada desafio vencido e com cada elogio conquistado.
Acredito no meu trabalho porque sei que ajuda pessoas e por isso, me ajuda a ser uma pessoa melhor.
Estou longe de ser rica - sou servidora pública na área da saúde. Mas sou feliz com o que faço e só sou realizada não pelo contracheque ou pela estabilidade, mas pela paixão que sempre tive ao desempenhar um trabalho que gosto na área da biomedicina.
Sentir essa alegria todo dia de manhã, quando me levanto para mais um dia de trabalho e desafios, não há dinheiro no mundo que compre.
Então, se eu puder dar um conselho, eu digo: Lute pelos seus sonhos. Escolha sua profissão porque você é apaixonado por ela e pode ter certeza que, com o tempo, essa paixão virará amor e dará bons frutos, inclusive e principalmente na sua conta bancária.
Não inverta a ordem, ou correrá o risco de viver uma vida de regalias, lagostas e chandon e ainda assim ter uma vida incrivelmente medíocre.

Daniele Van-Lume Simões    18 de janeiro de 2017


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Autoajuda?!

Os textos do blog estão meio filosóficos de uns tempos pra cá, eu sei. Mas o blog não é de autoajuda. Autoajuda é ajudar a si próprio. Eu espero ajudar, de alguma forma, a quem lê, seja com reflexões profundas, ideias inspiradoras ou simplesmente, boas risadas.
Pensando bem, talvez seja um pouquinho autoajuda também... Porque ô coisa boa que é escrever. Desafoga a alma, desaperta o peito, descansa a mente e relaxa o coração. Se você sentir qualquer coisa dessas com meus textos, já serei uma pessoa realizada, e consequentemente, me ajudará a ser uma pessoa melhor.
É, acho que esse blog é de mútua ajuda mesmo.

Abraços, queridos leitores!

Daniele Van-Lume Simões   16/01/2017




A ansiedade e a respiração


Considero-me uma pessoa ansiosa. Fui criada numa família ansiosa. Ansiedade para comer, para beber, para comprar, para viajar.
Quando criança, comíamos muito. Na adolescência, fui extremamente ansiosa, por conta do meu corpo gordinho residual da infância e isso me causou uma anorexia aos 13 anos de idade e claro, mais ansiedade. Depois, na faculdade, descobri que podia sair, então era de segunda a segunda, não importasse para onde fosse, desde o sorvete no shopping até o barzinho ou na casa de alguma amiga.
Para viajar, arrumava e desarrumava a mala 2.547.986 vezes, para depois colocar tudo o que coubesse e ainda conseguir a proeza de levar 6 pares de sapato para um dia e meio em Porto de Galinhas. Prazer, centopeia.
Depois, ansiedade pós formatura - o que fazer agora?, ansiedade para passar no mestrado, para defender o doutorado e para passar num concurso. Passei, mas não era O concurso, então ansiedade para aparecer um que realmente valesse a pena. Demorou longos 31 anos.
E a ansiedade para encontrar o grande amor? Encontrei um ano antes do concurso. Depois, veio a ansiedade para ter filhos, para emagrecer de novo (o que só te faz engordar), para ser uma boa profissional e não decepcionar naquele concurso que você ficou 31 anos esperando - mais do que o homem dos seus sonhos.
Ansiedade para juntar dinheiro, para comprar algo útil, para ser alguém útil. Ansiedade para ver os pais, para se despedir dos pais, quando se mora longe. Ansiedade pelo feriado e pelas tão sonhadas férias!!!
Somos bombardeados de doses cavalares de ansiedade e nossa sanidade onde fica nisso tudo?
Passam-nos terapias, tarjas pretas, tarjas vermelhas, terapias alternativas, florais, férias (olha ela aí de novo), conselhos, novenas e até reza braba, só esquecem-se de passar o segredo de manter uma mente equilibrada: RESPIRAR!  Sim, não é à toa que mandam-nos respirar e contar até 10 quando estamos nervosos. Um conselho que nem damos atenção, mas que é tão sábio! Não nos mandam comer, beber, sair, comprar, estudar, correr, trabalhar, não. Mandam-nos RESPIRAR. Simples assim.
Uma coisa tão simples, mas que com tanta carga emocional e física, esquecemo-nos de sua importância. E essa oxigenação é capaz de acalmar o mais estressante momento, porque nos conectamos com nosso interior, ali, pra quem quiser ver. Não precisamos ir para uma igreja, um consultório, uma academia. Basta parar um pouco, fechar os olhos e respirar profundamente por alguns minutos. E Pronto. Como mágica, nosso cérebro acalma, nossa voz amansa, nossa sanidade volta. Aos poucos, mas volta.
Faça o seguinte: tenha mais momentos de respiração, mas sem cobrança. Quando sentir as temíveis palpitações ou nervoso, respire profunda e lentamente. Sinta-se. E entenda que o remédio e a solução podem ser bem mais simples se paramos por alguns minutos por dia para olharmos para dentro de nós e deixarmos a energia fluir da forma mais vital que conhecemos.

Daniele Van-Lume Simões   16/01/17


O limite e a vida


Esse ano mal começou e já está uma correria danada. Sinto-me em dezembro. Mudanças de endereço, de vida, de perspectivas e de sonhos. Muita coisa para resolver e pouco tempo para ajudar. Tudo isso junto com trabalho, muito trabalho.
Mas ao contrário do que parece, não estou me queixando, não. A vida, às vezes, dá uma sacudida na gente, atropela tudo, invade tudo, como um tsunami de fatos que exige uma resposta quase imediata. Não dá pra pensar. Só é exigida atitude. E firmeza. Não volte atrás, ou se afogará.
Nem sempre as coisas saem como queremos e precisamos nos adaptar. Precisamos ter planejamento. E uma das coisas mais difíceis para o ser humano é planejar. Achamos que planejamos, mas qual o quê! Até planejamos e temos tudo detalhado na nossa mente e nas nossas agendas, mas vem uma doença, uma viagem inesperada, uma notícia boa, um novo trabalho, uma mudança de casa, uma conta para pagar que não tínhamos previsto, ou até mesmo, uma grata surpresa. E nosso planejamento vai todo para o beleléu.
Tudo isso, bom ou ruim, nos tira de tempo e nos lembra o quanto somos limitados. Isso mesmo, limitados. Tudo tem limite e é verdade. Nosso tempo, nossa paciência, nosso poder de influenciar os fatos ou as pessoas, nossa saúde, nosso cansaço, nosso corpo. Até nossa inteligência. Vai ter uma hora que ela vai estagnar e vamos morrer. Acabou-se e fim. Limite da vida.
Mas, se por um lado parece trágico o limite que temos, por outro pode ser consolador. A maturidade está em saber o quanto de energia vale a pena gastar em um projeto de vida ou de trabalho, sem que seu limite seja forçado e a energia desperdiçada. O quanto de energia vale a pena gastar, se nosso planejamento é cheio de furos totalmente imprevisíveis - e se, por acaso, não sair como planejamos, o quanto de energia devemos gastar recuperando o fôlego e tentando novamente ou simplesmente virando a página. Move on.
Essa semana é uma dessas semanas, decisivas, intensas, de mudanças, de energia empenhada, de testar os limites, mas principalmente de atitudes - porque de planejamento, minha agenda de 2017 (e de vários outros anos mais) já está cheia.

Daniele Van-Lume Simões   16/01/17




segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A cozinha e a intuição


Uma das coisas que mais gosto de fazer, além de escrever, é cozinhar. Sou famosa pelos meus molhos lá em casa. Mas se você me perguntar como aprendi, talvez pareça arrogante, eu responderia que já nasci sabendo.
Cozinhar envolve técnicas, algumas bem elaboradas e sofisticadas, mas não é disso que me refiro. Isso aí eu não sei mesmo. Além do que, técnicas se aprendem. Além de técnicas, cozinhar envolve, sobretudo, sentimentos. Paixão. Intuição.
Misturar ingredientes, sabores, temperos, cheiros, sem uma quantidade fixa, sem medir grama por grama e ainda assim ficar irresistivelmente bom. Como saber que aquela quantidade de curry ficará maravilhosamente bem no frango, se você nunca fez antes? Ou a quantidade de pimenta que vai cair super bem naquele cozido? Você não pensa, simplesmente vai e faz.
Isso é o feijão da nossa mãe, o bolo da nossa avó, o assado do nosso pai, ou nossos próprios pratos. Aquela comida que lembramos com afeto, com carinho e que não há outra no mundo igual nem melhor. Aquela comida que emociona. A maioria deles também não é expert nem tem diplomas, mas se lembramos de alguém que cozinha incrivelmente bem mesmo sem nunca ter frequentado uma escola de culinária na vida, é porque ela tem dom. Ela deixa sua intuição a guiar.
Assim é comigo. Nunca experimento o sal. Mas (quase) sempre acerto. Incrível como a intuição de colocar aquela pitada a mais, mesmo sem provar, transforma a receita num prato elogiado digno de restaurante.
Cozinhar, como diria a chef Paola Carosella, é um ato de amor primitivo. Alimentamos uns aos outros antes mesmo da fala, antes mesmo da consciência a respeito das coisas, antes das invenções, antes mesmo de qualquer expressão de arte ou técnica – seja em qual área for. Alimentar é um ato visceral, de amor, de cuidado que desde que nos conhecemos por espécie, o fazemos.
Por isso gosto de cozinhar - que é quando eu consigo me desvencilhar, por incrível que pareça, de toda técnica e apresento ali, à mesa, um prato feito com o mais puro, primitivo e visceral sentimento: o amor.
E se não havia linguagem, não havia técnica. Havia intuição. Foi essa intuição que fez o homem dominar o fogo. Foi essa intuição que fez o homem colocar seu alimento na panela e cozinhá-lo. Foi essa intuição que me fez acertar o sal sempre que faço os molhos das minhas massas.
Se me falta técnica? Não tenho dúvidas! Os chefs estudam anos e anos para fazerem pratos maravilhosos e belos. Verdadeiras obras de arte. E claro que as técnicas se aprimoram com o passar do tempo e exigem uma dedicação imensa para serem aplicadas, mas somente aqueles que nasceram com essa intuição é que nos fazem recordar do prato mesmo anos depois de o termos comido.
Não percamos esse dom - o de intuir. Se deixássemos ele aflorar tantas vezes mais em outras situações da nossa vida, ela seria certamente mais cheia de sabor.

Daniele Van-Lume Simões   09 de janeiro de 2017


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Reflexões em um dia chuvoso

Não adianta ser PhD e não ter amor pelo seu trabalho. Não adianta ganhar milhões e perder a chance de tornar a vida de alguém melhor, sendo incapaz de ganhar um sorriso. Não adianta ter conhecimento político e não ter conhecimento de vida. Não adianta ter uma equipe sincronizada, se sua família é desestruturada.
Nesse mundo louco, obsceno, voraz, não esqueça do que realmente agrega valor à sua vida e ao seu trabalho e que é capaz de transformar o mundo num lugar - um pouquinho que seja - melhor.
Trabalhe por isso e será possível conhecer a tão sonhada Realização.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Um bom ou mau começo - a escolha é sua

O ano mal começou e já vemos nas mídias, seja internet ou noticiários, uma avalanche de notícias ruins. Ataques terroristas, guerras civis, chacinas etc. Não sei se estou mais observadora, mas a sensação que tenho é que o negócio já começou fedendo. 
Já não bastasse tudo isso, ainda lemos notícias bizarras sobre (sub)celebridades, ou pior, sobre política brasileira e não sabemos se rimos ou choramos. Gari ou palhaço? Nenhum dos dois, essas categorias não merecem ser igualadas a esse antro sujo chamado política.
Ainda assim, prefiro não me contaminar com essa onda negativa e pesada e seguir otimista. Sei que a virada do ano é só um dia a mais, como qualquer outro, cronologicamente falando. Mas, historicamente, suscita mudança, seja de hábitos, de postura, de pensamentos. Principalmente de pensamentos. Deixamos o cansaço de lado e damos lugar à esperança, através da renovação da nossa fé. Fé em Deus, num futuro melhor.
Comecei meu ano com esse pensamento e é nesse pensamento que quero permanecer, sempre acreditando que as coisas vão dar certo e começar trabalhando com foco, garra e determinação. É o famoso correndo atrás.
Quero começar meu ano com boas energias, bons pensamentos, bons fluidos e proteção espiritual. Quero começar meu ano abstraindo esse tipo de notícia que suga a nossa energia e pior, a nossa fé na humanidade.
Não estou querendo viver numa bolha ou redoma ou ainda, ficar cega às situações que estão ocorrendo no meu país e no mundo, mas num mundo tão maluco, que está cada vez mais sem lei, devemos proteger nosso tempo e ocupá-lo com coisas úteis e enriquecedoras. E uma forma de proteger nosso tempo é nos protegendo contra essa mídia perversa, recheada de notícias ruins, abstraindo-a. Ignorando-a.
Sei que coisas ruins acontecem, mas será que coisas boas não?
Será que não tem uma notícia boa para dar, num universo de 7 bilhões de pessoas? Será que ninguém fez nada louvável nesse início de ano? Uma boa ação que seja? Ou um trabalho vitorioso? Nada?...
Para a mídia, notícia boa não vende. Desgraça vende. É preciso sangue e quanto mais, melhor. E ainda surgem os comentários mais abomináveis na internet. É muito doido nesse mundo. Cruz credo.
Por isso, devemos ter cuidado com o que deixamos nos influenciar, para que não comecemos mais um ano, mais um ciclo, envoltos em tanta energia ruim, como perdedores.
O mundo pode não estar lá essas maravilhas, mas com certeza, alguém que você conhece ou até você mesmo fez algo de bondoso, útil e positivo nesse início de ano.
E se não fez, ainda dá tempo. Faça acontecer você o início que gostaria de ter em 2017.
Muita luz, proteção e saúde a todos!

Daniele Van-Lume Simões                              02 de janeiro de 2017