quinta-feira, 2 de março de 2017

Festa estranha, com gente esquisita


Ando assustada com a desinformação que assola as pessoas, com a falta de senso crítico, com a preguiça de pensar, com a bestialização dos comentários, com a banalização dos direitos humanos e civis, enfim, com a alienação que tomou conta de jovens e adultos no Brasil.
Isso está refletido principalmente na política e acaba respingando em várias outras situações, desde as mais banais, até as mais sérias.
Opiniões andam sendo formadas por TV aberta ou revista de banca de jornal do tipo "olhe". Ninguém estuda mais história, filosofia, política. Poucos são os que se despem de preconceitos partidários e analisam a situação como ela realmente é - não como ela é mostrada.
Informações falsas, veiculadas descaradamente pelas mídias de massa. Um jornalista deveria ter vergonha, mais ainda, ser preso e responder criminalmente sempre que for responsável por veiculação de notícias falsas e manipulação da opinião pública. Mas estamos no Brasil.
Há muito tempo, a direita e a esquerda misturaram-se. Não há vilão nem mocinho. Há um contexto de caos que assola diversas famílias brasileiras, hoje com o desemprego daqueles que um dia bateram panelas ou queriam mais que 20 centavos. As pessoas foram enganadas, mas insistem em permanecer no engano. As coisas não estavam corretas e deviam sim ser corrigidas, mas seguindo a lei de Murphy de que "não há nada tão ruim, que não possa piorar", pioraram. Muito. Absurdamente.
Há um aumento de três vezes do desemprego desde final de 2015, desde uma operação que começou e que daqui a pouco abre filial com o serviço "a seco", pois já não há mais o que investigar – a verdade já existe, mas não temos acesso. Há interesses particulares por trás de delações e de prisões preventivas. Há muita coisa que desconhecemos e que talvez nunca conheçamos. Só os envolvidos é que podem esclarecer, mas o que é dito ou não é provado ou não é divulgado. Sinto-me naquele livro que a pessoa que enxerga em meio a todos os cegos, corre perigo (Ensaio sobre a cegueira, do Saramago). Ou ainda na música da Legião Urbana, numa festa estranha com gente esquisita.
E pra terminar de lascar tudo o que não temos acesso, há ainda os alienados. Esses sim são maioria e por conta disso estamos na merda que estamos. São analfabetos funcionais, que sabem ler, mas não compreendem e mal sabem escrever ou se expressar. Falam bobagem, escrevem asneiras, idolatram a intolerância, o medo, o radicalismo, sem nem terem ideia do peso de suas escolhas. Há o povo que faz piada com tudo, que não lembra em quem votou nas últimas eleições e que defende posicionamentos radicais - não importa de qual lado esteja. Todo radicalismo leva ao caos. Veja a Alemanha nazista, veja Cuba. Não importa qual o sistema de governo, importa quem está lá tocando esse sistema.
Pra piorar, há os comentários imbecis na internet que eu não aguento mais. Tenho vontade de ficar off nos próximos 20 anos, só para não me deparar com gente sem noção.
Brasileiros, acordem. Estudem. Parem de se contentar com notícias de massa veiculadas antes de novelas. Parem de querer tirar vantagem pessoal ilícita de situações políticas. Levem a sério este país, para que nossos filhos e netos não precisem se envergonhar da falta de conhecimento e atitude que estão assolando esta geração.
Ainda há tempo para corrigir os erros e mudar o que a história um dia irá contar, para que em vez de uma "página infeliz", possamos narrar a vitória e superação de um povo.

Daniele Van-Lume Simões    02 de março de 2017


2 comentários:

  1. Seu texto sobre a infeliz situação deste país é carregado de verdades, infelizmente parece que a única solução desse país parece ser um restart como em jogos de videogame onde quando a coisa deu errado você vai lá aperta o botão e tenta novamente; e o que esperar do futuro com uma juventude tão alienada, que prefere um "rolezinho" a planejar um futuro digno, porque o mínimo necessário já cai do "céu", então o lema é viver a vida louca, beber, fumar, fazer um B-HCG de vez em quando e por aí vai. É triste ver como grande parte da população simplesmente se deixa manipular hora pela classe política, hora pela mídia que por sinal só se interessa pelas cifras $$$, afinal jornalismo de qualidade compromissado com a verdade não deve ser tão lucrativo. Espero que realmente as páginas da história desse país terminem não com um "foram felizes para sempre" , mas sim com um "e aprenderam a lutar por uma nação mais digna".

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Owww, amigo! Me sinto bem mal com tudo isso sabe... estamos todos com a auto-estima baixa por causa de tudo que vem acontecendo nesse país. Como diria o filósofo: é pra se arrombar!!!

      Excluir