domingo, 14 de maio de 2017

A mãe de novela e a minha mãe


Hoje é dia das mães. Estou longe da minha porque estou morando em outra região. Nessas horas queria estar perto e lembro-me de todas as vezes que estive e fiquei trancada no meu quarto.
Sempre quis uma mãe de novela. Daquelas que tomam café com o filho todas as manhãs, daquelas que o filho faz merda e em vez de uma surra, ela vai conversar calmamente, daquelas sorridentes, cultas e sábias, com cara de estrela de Hollywood ou de novela do Manoel Carlos. Mas essas daí não seriam minha mãe.
Minha mãe não fazia meu café desde os meus dez anos. E se eu fizesse merda, não tinha nem papo, era surra e castigo. Na minha época, isso não só era normal, como era o mais acertado. Também não tinha cara de estrela de novela, embora seja bonita até hoje, mas nunca conseguiu emagrecer e vivia lutando com isso.
Minha mãe não é perfeita, mas é real. O sorriso dela não é falso, pelo contrário, ela fala as coisas na cara. Ela às vezes se comporta como filha e quantas vezes já me senti responsável por sua tristeza. Mas não sou. Nossas escolhas e modo de vida só cabem a nós mesmos e ninguém tem culpa disso.
Minha mãe sempre foi exigente, em vez de compreensiva. Sempre foi meio dramática, em vez de ponderada. Sempre foi braba, em vez de tranquila. Minha mãe não é de novela. É da vida real, como muitas mães que estão lendo este texto. Como a mãe da maioria de vocês.
Mesmo assim, é a minha mãe e eu sinto falta de estar ao seu lado quando ela precisa. Eu sinto falta de almoçar hoje com ela. Eu sinto falta de dizer que a amo.
Se você tem sua mãe perto, mesmo que ela não seja de novela, valorize-a. Ela é um ser humano que precisa de carinho, atenção, não de canonização. Mães não são anjos. Mães são mães. Têm defeitos e virtudes. Guarde na memória as virtudes. Perdoe os defeitos.
A vida é muito curta para alimentarmos sentimentos ruins. As mães não são eternas. Antes que a sua vá embora, diga que a ama, independente dos seus erros. Elas não são da novela das nove, que podem ser reprisadas. Elas são da vida real. E a vida real não tem reprises.

Daniele Van-Lume Simões      14 de maio de 2017


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Aqui jaz o Português


Não sou uma "expert" na língua portuguesa, mas sempre me esforcei para aprender como escrever corretamente, além de falar, claro.
Se o português morreu, a internet foi o cemitério. Nunca vi tantos erros como tenho visto ultimamente: em e-mails, em matérias de sites famosos, em WhatsApp. Nesse último é um show de horrores.
Mim não conjuga verbo. “Para mim fazer” não existe, a menos que você seja de alguma tribo indígena isolada na fronteira com a Guiana. Também não existe "você mim enche de orgulho". Desse jeito, é só desgosto!!! Você ME enche o saco escrevendo MIM onde não deve, sabia?
Vai dar para eu ir e não "vai dá para eu ir". Quantos verbos foram assassinados brutalmente depois de terem o "r" furtado de suas escritas? Dói, gente, até na alma.
Fora quando dizem que vão "concertar", em vez de consertar... A internet anda cheia de Mozarts e Chopins. Nunca vi igual.
E o famoso "a gente vamos?". A gente vai ou nós vamos. A gente só encontra verbo no plural na música do ultraje a rigor... "Inútil, a gente somos inútil!!!". E alguns são mesmo.
E quando em vez de "a gente", escreve-se "agente"? Agente, meu bem, só se for da polícia.
Fora os absurdos quando trocam letras, põem acentos errados, "comem letras" no "por favor" (pf), "com licença" (com lça) e "obrigado" (obg)... aleijam a gramática. Coitada.
Faz tempo que perdi a paciência com quem comete erros idiotas de português por pura preguiça de estudar.
Se eu soubesse que seria assim hoje, nunca teria achado ruim ler Machado de Assis no ginásio...
Eu era feliz e não sabia!

Daniele Van-Lume Simões     12 de maio de 2017


Sinceridade

Prefiro mil vezes a honestidade de um "foda-se", do que o deboche contido num sorriso falso de pessoas que fingem ser do bem ou amigas.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O banho da alma


Faz tempo que não escrevo. Mais de uma semana talvez. Hoje acordei e fui tomar banho, como faço normalmente todos os dias antes de ir trabalhar. Quem me conhece sabe que eu amo tomar banho com meus produtos naturais. É uma forma de renovar minhas energias, limpar a pele com suavidade, me sentir leve.
Depois do banho, pensei que deveria existir também um banho para a alma. Tirar a sujeira da alma e do coração, como a tiramos do corpo. As pessoas andam cheirosas por aí, mas o coração é podre e a mente é suja. A bondade é algo cada vez mais raro de se ver e de sentir.
Vemos atitudes hipócritas, de pessoas que querem parecer do bem, sendo que são imundas por dentro, sujas pelo deboche, mau caratismo e julgamentos infundados. São pessoas que querem parecer solícitas, até chegam cheirosas aonde vão, mas por dentro se roem na inveja e nos maus pensamentos. São pessoas que mereciam um banho de verdade, só que na alma.
Infelizmente, só existe banho para o corpo. Infelizmente, só vemos limpo o exterior das pessoas que nos cercam, porque o que elas trazem dentro de si, muitas vezes, não é mostrado. É sujo.
E depois dessa reflexão, fui me vestir e trabalhar, com o corpo e a mente limpos. De alma lavada.


Daniele Van-Lume Simões    10 de maio de 2015

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Janela aberta e o sucesso


Já é quase meia noite e estou em frente ao computador, com uma taça de vinho ao lado e uma janela aberta do outro. Perdi o sono. Faz tempo que ando com insônia, mas isso é tema para uma terapia, não uma crônica. Olho para a rua e silêncio. Todos estão dormindo, exceto um carro ou outro que passa. Penso nas pessoas dormindo tranquilamente, que inveja. Penso aonde as pessoas dos carros estão indo. Será para casa? Para o hospital? Para um bar? Não importa. O que importa mesmo é a minha janela. Aberta.
Muitas pessoas só precisam disso, uma janela aberta. Uma oportunidade para mostrarem o seu talento, seu trabalho, sua vocação. Uma oportunidade para enxergarem uma oportunidade. Uma corrente de ar fresco para respirar e renovar as ideias, inovar. No entanto, vem um vento gélido, que te lembra que lá fora é um mundo cruel. Não quer saber se você tem agasalho. A janela está aberta. Mas a porta ainda está fechada. Se isso é bom? Depende da sua coragem.
Para olhar pela janela é preciso coragem. Podemos ver o que não gostamos ou queremos. Podemos ver também a natureza, em toda a sua plenitude. Os pássaros, as cores, os caminhos. A forma que vemos as coisas independe do tamanho da janela. São muitos caminhos lá fora, mas precisamos antes olhar pela janela para ter ideia do que nos espera. Precisamos olhar pela janela para decidirmos se abrimos a porta e saímos. Enquanto aos caminhos, só saberemos onde vão dar se além da janela, a porta também estiver aberta.
E se sairmos, enfrentaremos o que nos espera. Escolheremos um caminho para seguir e poderemos mudar sempre que acharmos necessário. Participaremos da roda viva que é a vida. Não existe um só caminho, mas nenhum caminho que escolher te leva ao sucesso se não passar por muito trabalho, barreiras vencidas e amadurecimento. O caminho pode até nem ser longo, mas sempre será árduo. Só assim se alcança o sucesso e a realização duradouros, seja pessoal, seja profissional. Com trabalho, foco e dedicação no caminho. Não sejamos meros espectadores de uma janela aberta. Go out!


Daniele Van-Lume Simões    01 de maio de 2017.