terça-feira, 18 de julho de 2017

Gratitude


Encasquetei com uma palavra há alguns dias: Gratitude. A tradução dela para o Português é Gratidão. Mas não sei por que, a versão inglesa me agrada mais.
Gratidão é você agradecer todos os dias pelas bênçãos que você recebe, desde as mais simples. Gratitude, embora signifique a mesma coisa, me lembra a junção de Gratidão com Atitude. E isso é bem diferente.
Falar, orar, meditar para agradecer muitos fazem, mas quando termina aquele momento, a vida volta a ser como antes. Ter a atitude de gratidão é viver de outra forma. É dar valor, com atitudes, a tudo o que você recebe de bom.
Como? É saborear seu almoço quentinho e oferecer um pedaço, é sentir o cheiro de café fresco e levar uma xícara para o colega que trabalha do seu lado, é se enrolar nas cobertas numa noite fria e cobrir seu par para protege-lo do frio, é ligar para alguém que você ama só para dar notícias, é dar uma palavra de conforto a quem precisa, é ser gentil com quem você não conhece, é calar em vez de fofocar, é respirar profundamente e sentir-se grato pela vida, é encarar um desafio no trabalho com boa vontade e determinação, é ler um trecho de um livro que você gosta e aprender algo pra vida, é colocar em prática seus dons – cozinhar, escrever, costurar, ensinar – e compartilhá-los com alguém, é dar um abraço em alguém que é importante para você, é exercitar a compreensão com atitudes incompreensíveis de outrem, é tomar um bom banho e uma dose de coragem para ganhar o mundo com alegria todas as manhãs, é usar sua melhor roupa e seu melhor perfume celebrando a vida, é fazer algo que você acredita, é fazer uma boa ação, é buscar evoluir através de gestos e atitudes. Perceba que em nenhuma dessas ações eu citei a palavra obrigado. O agradecimento veio por meio de atitudes: “Gratitude”.
O agradecimento não deve ser só falado, ele pode ser vivenciado, realizado. Claro que falar é muito importante, pois é através da fala que nos expressamos e através das orações, que refletimos e meditamos. Mas todas as palavras ditas e pensadas podem ir por água abaixo se não as vivenciamos em sua plenitude, se não as praticamos no nosso dia a dia. As palavras ditas perdem seu valor se simplesmente levamos uma vida omissa.
Há um profeta que vivenciou a Gratitude (na minha tradução) de uma forma ímpar: Jesus Cristo. Ele pregava, ele meditava, ele falava com todos. Mas ele não ficou somente nas palavras. Ele curava, ele fazia milagres, ele dava exemplos com suas ações, ele abria mão das coisas para ensinar o verdadeiro amor, ele respeitava a todos (até mesmo quem queria seu mal), ele agia em nome do bem e pelo bem. Ele foi grato por cada minuto de vida e por isso, nos ensinou a coisa mais valiosa que existe: o amor é grandioso. E ele era grato por conhecer o verdadeiro amor em sua plenitude, que nós chamamos de Deus. De Força Superior. De Arquiteto do Universo. De Bondade. De Deusa Mãe. De muitos nomes, mas todos significando a mesma coisa.
A atitude de ser grato extrapola as palavras. Para agir com Gratidão é preciso Coragem de fazer a diferença. Pessoas que agem com Gratidão são fortes – por isso são verdadeiramente especiais.

Daniele Van-Lume Simões    18 de julho de 2017


Surpresa!


Semana passada, tive uma surpresa que vou guardar com carinho pelo resto da vida. Mudei de Departamento no local que trabalho e três amigas e eu marcamos de tomar um caldo no meio da semana, após o expediente para botarmos a conversa em dia.
Nada demais, trivial. Seria um encontro para botarmos o papo em dia e dar algumas risadas. Se não fosse uma singela homenagem que essas três me fizeram. Surpresa! Recebi uma cesta linda de produtos de beleza de uma das minhas lojas favoritas da vida, além de um livro maravilhoso e o mais especial de tudo: um cartão.
Nossa, há quanto tempo não recebia um cartão de uma amiga? Nem lembro mais. O cartão foi o mais significativo, pois ali estavam expressadas palavras que nunca dissemos uma a outra. Ali tinha carinho, torcida, companheirismo, gratidão e cumplicidade. Ali, vi que não estava sozinha num ambiente que normalmente costuma ser frio e marcado por competições e puxadas de tapetes. Ali vi que a amizade é uma das coisas mais importantes que existe. Não tenha muitos amigos, tenha BONS amigos. Amigos que te estendam a mão, sem que seja necessário pedir.
A noite foi ótima, com muitas risadas e alguns drinques. E essas três, que antes já faziam parte da minha vida de alguma forma, entraram em definitivo nas lembranças que vou levar para o resto da vida. Foi uma surpresa e tanto que a vida me proporcionou e sou grata por isso.
Obrigada Thayssa, Rayana e Natália por fazerem parte da minha vida. Obrigada pela generosidade e palavras de apoio e carinho quando precisei. E o mais importante: Obrigada por renovarem minha fé no ser humano.


Daniele Van-Lume Simões    18 de julho de 2017

Para tudo


Muitas vezes achamos que somos de ferro. Passamos 8h em reuniões, fazemos faxina, cozinhamos, tudo isso num dia só e quando chega 23h, chega também o aviso: Para tudo. Pegue leve. O corpo fala.
O aviso não vem de familiares, de colegas de trabalho, não. Vem do seu corpo. Recebi um desses semana passada. No auge da empolgação e produção, meu corpo não falou, gritou em alto e bom som: Pare! Doeu muito! Bem-feito.
A coluna travou e uma sexta-feira que seria produtiva no trabalho, foi tomando medicações fortes, que me deixaram grogue e fazendo exames. Repouso absoluto. Sensação de impotência. Não há o que fazer, a não ser respeitar meu limite.
E olha que o limite foi curto. Quatro dias em casa, sem poder ficar muito tempo sentada, sem conseguir fazer as coisas direito, me fez pensar muita coisa. A sensação de impotência foi se dissipando quando resolvi ouvir um pouco meu corpo.
Quanto corremos todos os dias para fazer todas as tarefas possíveis, numa vã tentativa de resolver as dores do mundo? O que ganhamos com isso? Te digo, uma bela dor nas costas.
Quanto nos importamos, ficamos tensos, nos preocupamos com coisas que são de fácil resolução ou pior, que as pessoas nem valorizam tanto, mas que nossa mania de perfeição faz com que nunca achemos que foi o suficiente? E quando vimos, as coisas foram resolvidas sem sua presença. Você estava no hospital.
Quantas vezes esquecemos da nossa saúde física e mental, de espairecer, de olhar a natureza, de contemplar um pôr do sol no meio da semana, de estarmos com quem amamos, por falta de tempo? Ou melhor, de prioridades? Você não casou com um relatório, nem jurou amor a uma faxina na casa.
Aprender a priorizar o que você vai se lembrar para o resto da vida é uma das coisas mais difíceis de pôr em prática. Já vi pessoas nostálgicas lembrando de um pôr do sol belíssimo que assistiram junto ao seu amor, mas nunca vi ninguém lembrando com saudosismo de um relatório que entregou ao chefe 20 anos trás. Mesmo assim, insistimos nos relatórios, nas metas, nas obrigações diárias (e que por serem chamadas de diárias, nunca terão fim, a menos que a morte venha). Insistimos no estresse, na correria, na falta de prioridades. Insistimos em não ouvir nosso corpo, e o mais grave, de não ouvir nosso coração.
Vejam bem, não estou defendendo que devemos ser irresponsáveis no trabalho nem relapso com as coisas de casa, estou falando que não devemos ocupar nosso tempo inteiro apenas de obrigações que você não vai lembrar quando estiver no leito de morte. Nem que seja 5 minutos do seu dia, abrace quem você ama, ligue para seus pais ou seus filhos, mande uma mensagem para uma amiga distante, olhe a lua e suas fases. É disso que você vai lembrar, se tiver a sorte de ter se permitido vivenciar.
Às vezes, por mais dolorido que seja, é bom parar. O mundo não para por sua causa e você, que se julgava indispensável, vê que tudo está funcionando normalmente. Você é só mais uma peça do quebra cabeça que é a vida, que pode até ficar incompleto, mas não vai impedir de que as pessoas vejam o todo e identifiquem a paisagem. É só um buraquinho que falta. Ficou feia esta analogia, mas é isso mesmo. Você, out, é só um buraquinho vazio num quebra cabeça de 3 mil peças.
Parei por 5 dias e minha racionalidade está morrendo de medo de ter que parar por mais, mas vou respeitar meu corpo e as ordens médicas.
Mas tudo isso me trouxe uma lição, que no fundo já sabia: Aprendi que nem sempre o que priorizamos é o que faz a diferença.
E tenho certeza, hoje o pôr do sol será espetacular.


Daniele Van-Lume Simões        18 de julho de 2017

quarta-feira, 12 de julho de 2017

terça-feira, 11 de julho de 2017

Superação


Sempre admirei a capacidade que o ser humano tem de se reinventar. Seja em momentos de crise, seja em momentos de inspiração, todos nós temos esse poder interno, mas poucos são os que o conhecem e fazem uso dele.
Uma pessoa que sempre me vem à mente quando o tema é superação é o premiado pesquisador Stephen Hawking. Ele desenvolveu uma doença autoimune chamada de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), que limita os movimentos da musculatura estriada esquelética e vive em uma cadeira de rodas. Não consegue falar, comer ou até mesmo respirar sem auxílio mecânico.
Hoje, ele que poderia estar vivendo uma vida quase vegetativa, escolheu não se acomodar. Foi professor de matemática da Universidade de Cambridge durante 30 anos, ocupando a cadeira que foi de Isaac Newton e atualmente é pesquisador de renomadas comunidades científicas europeias.
Quem assistiu ao filme chamado “A teoria de tudo”, que falava sobre a vida de Hawking, teve uma pequena noção de quantas vezes ele precisou se superar. Seja no casamento, seja fisicamente, seja academicamente. Quantas vezes as pessoas não acreditavam na capacidade dele e ele foi lá e provou que conseguia. A maior limitação que alguém pode ter não é a física, é a emocional. Pois é a partir do controle emocional que conseguimos desenvolver habilidades intelectuais.
Na vida, estudamos e recebemos vários diplomas: graduação, mestrado, doutorado, mas pouco ou quase nada é falado sobre a importância de manter sob controle suas emoções, especialmente as negativas, especialmente o medo. Este último paralisa até mesmo quem tem um corpo "perfeito". Não há diploma de controle emocional nem de domínio do medo, mas são essas atitudes que fazem alguém ir mais longe do que acreditava que iria. É controlando o seu medo que faz com que seu corpo reaja e sua mente consiga raciocinar e produzir.
Stephen conseguiu dominar o medo e o mundo. Deixou cientistas embasbacados com tamanha complexidade de suas teorias e que são explicadas de uma forma razoavelmente simples em seus livros – é o dom do magistério. Cientista nato. Brilhante.
Olho para o exemplo de Hawking de um lado e do outro vejo pessoas que não conseguem dar um passo à frente, mesmo com duas pernas saudáveis. Ao contrário, vivem andando para trás e se auto sabotando. Repetindo para si mesmas que não conseguem. Vejo pessoas que se julgam incapazes de crescer e progredir porque se acham feias, ou porque são gordas, ou porque não tiveram estudo ou dinheiro. Transferem seus medos para características físicas ou sociais.
Claro que ter acesso a estudo de qualidade e ter dinheiro são facilitadores para atingir seus objetivos, mas não é imperativo. Tem gente que tem tudo isso e fracassa. Tudo depende da forma que controlamos nossos medos e o nosso crescimento é proporcional à nossa ousadia em arriscar. Ousadia não é sinônimo de irresponsabilidade – isso é o que te disseram para te manterem sob controle.
Ao controlar nossos medos, ficamos fortalecidos para não nos deixarmos abater pela crítica alheia nem por nossas imaginárias limitações. Ao controlar nossos os medos, conseguimos ir mais longe do que jamais imaginamos ser possível. Não deixe que te façam acreditar que você é incapaz de algo, tampouco auto sabote-se.
A maior e mais poderosa ferramenta que existe é o cérebro. Não é indicação profissional ou política, não é quem você conhece, não é quanto dinheiro você tem na conta. Claro que tudo o que citei é facilitador para o sucesso, mas não é o motivo dele. Estude, especialize-se, acredite em suas ideias, lute pelos seus sonhos e principalmente, não se imponha limites! A pior limitação é aquela que acreditamos ter. Supere-a. Viva a vida que você acredita que merece. Não é fácil, mas é totalmente libertador.

Daniele Van-Lume Simões            11 de julho de 2017